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“Merecedor de todos os Óscares” Conhecer melhor a história do Pastel de Tentúgal foi o principal objectivo de uma magnífica tarde cultural promovida pela Associação de Pasteleiros e Comerciantes de Tentúgal (APT), que está apostada na qualificação deste famoso doce conventual, produto que dinamiza a economia desta vila, colocando-a em lugar de destaque na rota turística do Baixo Mondego, aliando o seu património histórico-cultural.
Para fundamentar o processo de qualificação do Pastel de Tentúgal foi feito um estudo histórico-social, no Arquivo da Universidade de Coimbra, realizado por Sílvia Carvalho, no âmbito de um estágio profissional, numa parceria da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Arquivo da Universidade e APT. Este trabalho, apresentado dia 31 de Julho, faz uma abordagem sobre a história e a vivência do Convento de Nossa Senhora do Carmo, através dos livros de receita e despesa daquele convento, com destaque para a confeição do Pastel de Tentúgal. Segundo Sílvia Carvalho “a confeição da doçaria conventual cresce, em parte, motivada pelo requinte do seio familiar em que as professas viviam, já que, na maioria, descendiam de famílias nobres”. A autora do trabalho afirma que “a farinha (para este doce) é tanto mais importante quanto a qualidade dos pastéis”, acrescentando que “aquando da existência do convento, a produção nacional de trigo era de fraca qualidade, dando pouca elasticidade amassa, tendo as carmelitas o cuidado de, sempre que possível, obter trigo de melhor qualidade, como se depreende da anotação “gastamos em um mimo que se mandou a hum Clérigo que fez o trigo para a Comunidade 1400 réis.”O trabalho refere também os utensílios utilizados para a confeição do Pastel de Tentúgal e o modo como se transmitiu para o exterior do convento o “segredo” da sua confeição. Olga Cavaleiro, presidente da APT, disse que “é com muito gosto que os pasteleiros e o povo de Tentúgal vê a divulgação deste trabalho, de particular significado para nós que nascemos e fomos criados em Tentúgal”, referindo que “representa uma mais valia no enquadramento histórico do Pastel de Tentúgal”. “Reconhecemos o esforço e o empenho da autora do estudo que procurou investigar e escrever um pouco daquilo que é a história do convento e do pastel; este trabalho há muito que deixou de ser um objecto de estudo e passou a ser uma paixão”, frisou.Olga Cavaleiro adiantou que “a concretização deste estudo permite contextualizar no tempo e no espaço que Tentúgal deve o seu protagonismo, a sua valorização e o seu crescimento à existência do seu convento donde saiu o famoso pastel”. Elogiando o trabalho apresentado, Olga Cavaleiro também agradeceu a parceria do Arquivo da Universidade e da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho na concretização deste estudo. Pastel também faz a história de Tentúgal Luís Leal, presidente do município montemorense, elogiando a autora disse “o trabalho vai ser editado em Setembro na revista Monte Mayor porque é um valor acrescentado para o concelho”, sublinhando que “a câmara municipal vai continuar a desenvolver esforços na qualificação do Pastel de Tentúgal”.Para o autarca, “o Pastel Tentúgal é um promotor de emprego com mais 150 postos de trabalho directos, criador de uma indústria e de um circuito económico”, frisando que “é um bom exemplo de indústria turística, sendo oportuno e necessário a sua qualificação”. Referindo que o Pastel de Tentúgal “é uma marca registada que vende e promove o concelho a nível turístico”, Luís Leal realçou que “é merecedor de todos os Óscares”. O presidente da Câmara, tecendo palavras de estímulo à união dos pasteleiros e comerciantes, disse que “o pastel e os pasteleiros também fazem a história de Tentúgal”, frisando que “à semelhança da construção de estátuas representativas da vida económico-social noutras localidades, lanço o desafio à Junta de Freguesia, aqui representada pelo presidente Décio Matias, e à APT para que, em parceria com a Câmara Municipal”, seja construída uma estátua em homenagem à doceira e ao pastel de Tentúgal”. Entretanto, esta tarde cultural tinha iniciado com a intervenção de “Zé Craveiro” que contou uma interessante apresentação histórica através dos lenços. Com “Os lenços também falam”, este contador de estórias ajudou a perceber a realidade da vivência dos antepassados nesta vila, elucidando que através do trajar do lenço se sabia como era a vida das pessoas e marcava as relações sociais. “Como acessório de moda no traje feminino da época, o lenço também era uma forma de ‘encantar’ um homem”, disse José Craveiro, avançando que “ainda temos muitos motivos para descobrir acerca dos lenços que, provavelmente, são peças que restam da influência árabe na nossa cultura”.Maria José Azevedo Santos, falando sobre o tema apresentado por Zé Craveiro, teceu palavras de “agradecimento e encanto pela novidade”, dizendo que “o vestir e o calçar é um código de comportamento social que está pouco estudado, merecendo uma atenção especial”. Sobre o trabalho de Sílvia Carvalho, a directora do Arquivo da Universidade referiu o papel decisivo da Câmara Municipal, nomeadamente de Luís Leal e Pedro Machado e da técnica Dina de Sousa na sua concretização, que “além de valorizar a história do concelho, também permitiu o tratamento arquivístico da documentação estudada”. Ainda para complementar o estudo sobre a vivência no convento das carmelitas lançou um desafio para no futuro “se tentar estudar a percentagem dos gastos que a alimentação e os doces tinham no orçamento do convento”.No final houve uma prova de doces conventuais e animação com o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Tentúgal. |