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Tentúgal revive feira à moda antiga PDF Imprimir e-mail

"Feira à Moda Antiga"A reconstituição da tradicional Feira de Nossa Senhora dos Olivais, no requalificado “Parque Verde Nossa Senhora dos Olivais”, freguesia de Tentúgal, está marcada para domingo, a partir das 12h00. Esta “Feira à Moda Antiga” pretende recriar momentos sociais e culturais do fim do século XIX, prometendo um espaço de “mercância”, com os produtos da região, e momentos de convívio e animação popular.

No adro da Capela de Nossa Senhora dos Olivais, recentemente requalificado pela população, com o apoio da Junta de Freguesia de Tentúgal e Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, a cerca de dois quilómetros a norte da Vila de Tentúgal, vai ser reconstituída, domingo, uma feira que ali se realizou até há cerca de finais do séc. XIX. Esta iniciativa não será apenas um local de mercância, mas também um espaço de convívio e de descanso do árduo trabalho agrícola, com animação popular. Nesta reconstituição estarão as tendas de venda onde os produtos serão “regateados” até ao limite. Ali vão ser negociados os produtos da região, nomeadamente cereais, vinho, licores, azeitonas, azeite, hortaliças, feijão, sementes “à cornada”, batatas, cebolas, alhos, fruta seca e fresca, aves, panos, bordados, bolsas de retalhos, algibeiras, sal, ovos, queijo, enchidos, mel, cera, pão alvo, pão meado, broa, fogaças, biscoitos, doces, brinquedos, olaria, cestaria, cordoaria, tamancos, vassoiras, unto, sebo, pez, resina, breu, naperon, lanternas de papel, caça, peixe, vestes, linho e metais, entre outros produtos.

Os mercadores, na sua maioria gente ligada à agricultura, vão a esta feira para vender os excedentes da sementeira passada e também as alfaias agrícolas usadas na lida da terra. Nesta feira não faltará a animação proporcionada pela literatura de cordel, pelos titres (vulgos robertos): Entre outras figuras características da época estarão a aguadeira, tremoceira, vendedeira da limonada, ceguinho com sanfona, tamanqueiro, mezinhas, ferrador, fiadeira, carpinteiro, serrador, amola-tesouras, barbeiro, sapateiro, alfaiate.

Neste certame também haverá lugar para a gastronomia, com o almoço, a partir das 13h00, constituído por sopa à lavrador, fêveras na brasa com batatas cozidas, vinho e limonada, continuando com os diversos petiscos. A animação  está a cargo do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Tentúgal, Grupo Cénico Amador da Portela, Associação Desportiva e Cultural Ribeirense, Grupo Etnográfico de Defesa do Património e Ambiente da Pampilhosa (GEDEPAP), Grupo de Concertinas e Cantares da Lousã e GERC (Coimbra)

As primeiras referências a esta feira surgem em meados do século XVI, aquando da construção da ermida em honra de Nossa Senhora dos Olivais, onde se realizavam as festividades religiosas acompanhadas por um programa profano. É, pois, de admitir que esta festividade, constituindo uma autêntica romaria que atrai centenas de forasteiros, esteja na origem da feira que ali se realizou até finais do séc. XIX.

Fotografia de arquivo

 

 

Fotografia de arquivo

 

 

Fotografia de arquivo

 

Fotografia de arquivo

 

Espaço de encontro

O ambiente mercantil e de folgar, que se vivia nas feiras de antanho, representava também um papel relevante a nível social e cultural. Era nas feiras que se obtinham notícias do que se passava “pelo mundo”, dos resultados das colheitas e de tantos outros assuntos que, então como hoje, são a base do cavaquear do povo. O desenvolvimento das feiras foi favorecido pelas festividades, romarias e cerimónias de culto que atraíam devotos e peregrinos. E, como o peregrino também era muitas vezes mercador, esses encontros transformaram-se em centros de troca.

Aliás, quase todas as “cartas de feira” portuguesas estabelecem o prazo de realização da feira a coincidir com uma festa religiosa, originando que muitas feiras tivessem o seu “berço” junto à capela, cujo orago era particularmente venerado. Intimamente ligadas com as feiras, pois estas sempre se faziam por ocasião da festa do padroeiro, as cerimónias de culto religioso ajudavam a manter esses encontros em que o povo satisfazia conjuntamente as suas necessidades espirituais e profanas. Depois do recolhimento litúrgico, o povo saía para a feira para tratar da compra e da venda dos produtos e mercadorias de que dispunham ou de que careciam e, acabados os negócios, folgavam todos sem constrangimento, pois era vulgar encontrar nas feiras diversos divertimentos, como ainda hoje acontece. Não faltavam as tabernas, as folias, os bailes, os jogos de azar e outras distracções mais ou menos lícitas, mas que eram permitidas com o fim de atraírem feirantes e compradores.

Tornando-se evidente a importância da reconstituição deste certame, enquanto manifestação dos hábitos e dos costumes do povo da região, esta Feira á Moda Antiga tem organização da Associação Casa do Povo de Tentúgal, Grupo Cénico Amador da Portela e União Desportiva e Cultural Ribeirense, contando com o apoio da Junta de Freguesia de Tentúgal e da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho.  

 
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